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Carta aberta do Presidente do NERA aos Empresários, Associações e Cidadãos do Algarve

Quarta, 05 Setembro 2012

Algarve

Não é este o momento para fazer análises sobre o estado da Região. Eu sei. Estamos em pleno Verão, no pico da atividade das nossas empresas. Temos que vender e receber dos clientes, pagar aos trabalhadores, aos fornecedores – e ao Estado.

Temos que receber bem os que nos visitam, temos que ter boa disposição e não ser portadores de pessimismo e más notícias.

Mas não deixo de aproveitar a amenidade da época para alertar para algumas questões de fundo que merecem reflexão urgente e fazer uma proposta aos algarvios.

Na minha opinião nós – empresários e cidadãos do Algarve - temos uma grande responsabilidade:
Temos o dever de garantir o futuro da nossa região – porque dele depende também o futuro dos nossos filhos e dos que aqui trabalham e vivem.

Sei que há quem se preocupe apenas consigo próprio. Como sei que não é com esses que podemos contar. Andam por aí, conhecemo-los pois desmascaram-se todos os dias com as suas próprias palavras e atos.

Quais são essas questões de fundo?
Conhecemos o quadro nacional.
Conhecemos os índices nacionais da situação económica e financeira do Estado, das empresas e dos cidadãos. As taxas de desemprego e do desemprego jovem. A evolução do crédito, dos empréstimos a empresas e a privados. A situação na imobiliária e construção. As falências e insolvências de empresas. As quebras da procura no turismo, no comércio e na restauração. A situação financeira dos municípios. As expetativas dos jovens que saem das Universidades. Conhecemos tudo!

Como está o Algarve no conjunto do país?
Pois bem, em quase todos os índices - sobretudo nos económicos e financeiros – o Algarve, em geral, está PIOR que o quadro nacional.

Bem sabendo que o Algarve apresentava no passado índices de desenvolvimento e bem-estar acima da média nacional tendo por isso sido penalizado em termos de Fundos Comunitários!

Que se passa então com o Algarve?
É precisamente aqui que ninguém quer entrar – e desde logo os atores que estão de saída do palco, ou estão só a preparar-se para «saltar para outra»!

É aqui que ninguém quer analisar nem discutir. Porque acham que «não há problemas», aconteceu… estava tudo a correr bem… foi a CRISE…

O programa deles é conhecido: «isto passa» e tudo será como dantes!

Como cidadão e empresário digo com toda a franqueza que acho que não é este o caminho. E que vamos ter que começar a discutir com urgência.

Discutir o que se passou no Algarve em termos económicos e sociais e não apenas nos últimos «trimestres», e nem sequer só nos últimos dois ou três anos. Que modelo seguimos, que resultados atingimos.

Sei que é incómodo. Até porque haveria muitas opções por justificar e contas a apresentar. Quanto se gastou, quanto se deve, quem vai pagar…

Não é para fazer contas com ninguém: trata-se apenas de salvar a Região.

O futuro das novas gerações assim o exige.

Três razões:
1ª. Considero que não é só por causa da CRISE que o Algarve vive uma situação difícil, complexa e perigosa.
2ª. Considero que o Algarve não tem só um problema conjuntural, de Turismo - e que se resolveria apenas com «mais promoção, menos impostos e mais festas, mais flexibilização laboral e mais polícias».
3ª. Considero que o Algarve tem um problema grave de fundo – um problema estrutural – com diagnóstico por fazer, que envolve o papel insubstituível do Turismo, mas também o papel de TODAS as outras atividades económicas possíveis na região.

Apesar de haver quem não queira discutir, proponho que se discuta!

Devo dizer que isto não se resolve com planos de emergência – que apenas têm fins políticos, iludir os problemas de fundo e para chutar para a frente … 

1.    Proponho algumas medidas práticas imediatas – há muitas por onde escolher… relacionadas com a mobilidade (portagens) no Algarve, com os impostos com incidência no consumo dos setores do Turismo, com o escoamento da imobiliária…

2.    Proponho uma medida especial para o Turismo – que não pode esperar mais – face ao esvaziamento e impotência das atuais estruturas regionais e aos perigos das novas ERT’s, concretamente uma Comissão Regional Turismo (Extraordinária) com prazo limitado - na base de um consenso entre governo, empresários e municípios. Para enfrentar problemas urgentes do setor - estudar uma reorganização, e um novo enfoque e relançamento do Turismo. E travar propostas irresponsáveis que andam no ar.

3.    Proponho que se arranque com um processo que leve à criação de condições para avaliar a situação do Algarve. É urgente:
a.    Analisar a evolução e alterações da estrutura económica e produtiva nas últimas décadas e definir com rigor o atual quadro: O que somos? Onde estamos? 
b.    Avaliar a capacidade competitiva do Turismo/economia do Algarve em relação aos concorrentes internacionais mais directos.
c.    Definir o posicionamento e a estratégia do Turismo do Algarve no quadro da realidade actual dos mercados internacionais.

Objetivo número final deste projeto: contribuir para a definição de uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a Região do Algarve que parta dos seus recursos endógenos, desde logo os que tornam possível o Turismo, numa visão integrada, mas também, obrigatoriamente, os outros que já tínhamos e que temos esquecido: os da Terra e do Mar. Com toda a inovação que a imaginação permitir! 

Como cidadão e como Presidente da Direção do NERA, proponho às outras associações empresariais regionais – e nomeadamente à ACRAL, AHETA, AHISA, ANJE e CEAL - para se constituírem, desde já, juntamente com o NERA, como Comissão Provisória para levar por diante este Programa.  


Vítor Neto
Presidente da Direção do NERA


 

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